quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

001 - Os cadáveres da PSP

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Conforme já foi dito, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, no dia 4 de Agosto de 1992, assaltou a loja nº 26, e apoderou-se de todo o seu recheio.

A ré Maria da Conceição, trabalhava em Santos, e todos os dias passava defronte daquela porta por duas vezes.
E foi ela que reparou, que alguém tinha colocado uma chapa de ferro, por cima da fechadura, esta por sua vez imobilizada por um cadeado.

No dia 8 desse mês, sábado, os réus (ela e o marido, Romão), reabriram aquela porta, e depararam-se com a loja completamente vazia.
Apenas nuns gavetões, existentes por debaixo das montras, tinham ficado uns ossos humanos.
Mais precisamente, dois crânios, um braço e uma perna, completos, ambos aramados pelas articulações.

No dia 10, segunda-feira, ao final da tarde a ré Rosa, passou pelo escritório, e ao introduzir as chaves na porta não a conseguiu abrir.
Enquanto procurava abrir a porta, alguém do seu interior a abriu, o que a Rosa aproveitou, para de imediato se introduzir na loja.
Telefonou ao irmão, Romão, explicando o que se estava a passar.
Por sua vez o segurança que estava no interior da loja, chamou os seus superiores. Passado algum tempo, talvez uma hora, tínhamos uma assembleia reunida, composta pela Rosa, Romão e pelo pai de ambos, o Manuel (na altura com 72 anos), e por cerca de oito funcionários da Sonasa.

Estes seguranças, de imediato, ameaçaram os réus que tinham de sair imediatamente, e que senão o fizessem a bem, sairiam a mal…
Após algumas conversações pacíficas, a Sonasa entendeu que os réus nunca iriam abandonar o local, e passou o seu discurso para “quem sair já não entra”.
Naquela noite o réu Manuel, ficou a dormir no escritório, para evitar alguma situação mais delicada.

O Romão no dia seguinte, dia 11, pelas 09H30, deslocou-se à MAKRO, onde comprou um revólver de recreio de ar comprimido.



Dirigiu-se ao escritório, e defronte dos seguranças, entregou-o ao seu pai dizendo-lhe : -
“ se alguém te ameaçar ou pretender fazer mal, sabes o que tens a fazer”.



Refira-se, que a Sonasa, sabia que o réu Manuel, era reformado da Guarda Nacional Republicana.

Meus Senhores, a partir daqui, acabaram-se as insinuações, quanto à presença dos réus na loja, como o povo diz “foi remédio santo”, acabaram-se os problemas, “…casaram, foram felizes, tiveram muitos filhos, e viveram para sempre.”


Como consequência, surgiu outro problema !

Nesse dia 11, no final da tarde, novamente a ré Rosa estava sozinha no escritório, e alguém lhe bateu à porta.
Entrou um indivíduo, que de imediato lhe disse, que ela não tinha nada que estar ali e por isso saísse imediatamente.
Ela perguntou-lhe: “mas afinal quem é o sr. para falar comigo nesses modos?”.
Ele identificou-se como sendo comissário da polícia da esquadra local.
A ré Rosa, respondeu : “Estou naquilo que me pertence, e se o sr. não fala comigo respeitosamente, quem sai já daqui é o sr.”, abrindo-lhe a porta.
Então, já moderadamente, explicou : “eu sou o comissário da esquadra local, e gostava de saber o que aqui se passa, pois é extremamente desagradável para mim, que estas situações se verifiquem na área da minha jurisdição”.
A Rosa, explicou-lhe então que, quanto à existência de armas, o réu Manuel, sendo reformado da GNR, tem direito a uso e porte de arma de qualquer calibre, incluindo armas de guerra, embora, apesar disso, ninguém tivesse sido ameaçado ou molestado.
Quanto à restante situação, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, tinha assaltado o escritório do marido, e tinham retirado todo o recheio deste, excepto uns ossos que estavam dentro de uns gavetões, que provavelmente não viram ou de que tiveram medo.

O Sr. Comissário, quando lhe foram mostrados os ossos, exclamou : “mas a senhora tem aqui dois cadáveres em adiantado estado de decomposição”, e chamou a polícia científica.

A PJ, quando chegou ao escritório, precedida pelos “media”, olhou os cadáveres, deu meia volta e foi-se embora.

O Correio da Manhã, na sua edição de 12-08-1992, publicou a notícia, que se mostra:



Casualmente, ou não, nesse mesmo dia 12, o Diário de Notícias, na área de “Economia”, publica o seguinte :




Srs. Visitantes, meras coincidências ! Ou talvez não !

Não prova coisa nenhuma, mas que, ”ELE HÁ COISAS DO DIABO, HÁ” !
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